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Nova Caledônia · Sistema de saúde
O sistema de saúde da Nova Caledónia: regime local, hospitais públicos, urgências e evacuação sanitária
O essencial
Na Nova Caledónia, a saúde e a proteção social são competências do território: o seguro de doença dos residentes é o regime unificado de seguro de doença e maternidade (RUAMM), gerido pela CAFAT, e não a Assurance Maladie (o seguro de saúde público francês) metropolitana. Cobre os assalariados, os funcionários, os trabalhadores independentes e os estudantes, e existe um seguro voluntário para os residentes que não dependem de nenhum regime obrigatório. A oferta pública assenta em três estabelecimentos hospitalares, entre os quais o centro hospitalar territorial Gaston-Bourret no Médipôle de Koutio. Em caso de urgência vital, o 15 liga ao SAMU, e a CAFAT organiza as evacuações sanitárias para a metrópole ou Sydney após parecer de uma comissão médica. Aplica-se uma parte não reembolsada (ticket moderador) de 10 % às consultas.
- 3 estabelecimentos hospitalares públicos: o CHT Gaston-Bourret, o CHS Albert-Bousquet (saúde mental) e o centro hospitalar do Norte (DASS).
- Mais de 2 000 agentes no CHT, que ocupa o Médipôle de Koutio e se classifica em segundo lugar entre os empregadores do país.
- 10 %: ticket moderador nas consultas médicas, incluindo para os doentes em doença prolongada.
- 32 doenças dão direito à doença prolongada, com cobertura a 100 % dos cuidados associados (CAFAT).
- 1 noite de internamento no mínimo: única condição para que a CAFAT reembolse cuidados imprevistos no estrangeiro, fora da metrópole.
- 60 € por dia: limite de reembolso de um alojamento escolhido pelo doente numa evacuação sanitária para a metrópole.
Serviço em fase de lançamento: um consultor analisa o seu pedido e contacta-o para precisar as suas necessidades.
Uma competência do território, dois pilares: segurança social e ação social
A direção dos assuntos sanitários e sociais (DASS) indica que a Nova Caledónia é competente em matéria de proteção social ao abrigo do artigo 22.º da lei orgânica n.º 99-209, de 19 de março de 1999, e que dispõe de um sistema distinto do sistema metropolitano. Assenta em dois pilares. A segurança social confia a gestão dos regimes obrigatórios a organismos que têm o estatuto de sociedade de socorros mútuos, colocados sob a tutela do território: a CAFAT para os assalariados e equiparados desde 1958, e para os funcionários e os trabalhadores independentes desde 2002. A ação social compreende a ajuda médica para as pessoas que não podem beneficiar do seguro obrigatório e dispõem de rendimentos baixos (gerida pelas províncias para os seus residentes), as prestações familiares de solidariedade, o apoio à habitação do Fundo Social da Habitação e o regime de deficiência e dependência criado em 2009.
Os seguros de saúde complementares dependem de organismos mutualistas e de seguradoras, e escolhem-se livremente. A ficha proteção social e saúde na Nova Caledónia apresenta o quadro institucional, e o glossário define o ticket moderador.
O seguro de doença: o RUAMM e os seus regimes
A CAFAT apresenta o RUAMM como «o seguro de doença de todos os caledónios». Reembolsa a doença-cirurgia (internamento, cuidados médicos e dentários, farmácia, exames de laboratório e de radiologia), a doença prolongada, a maternidade, a invalidez e o óbito, e pode também reembolsar cuidados recebidos fora do território. Os direitos dependem da situação de cada um.
- Assalariados: a entidade patronal declara a contratação. Os direitos são abertos por 1, 3 ou 6 meses (ou por um ano em direitos anualizados) consoante as horas trabalhadas ou o salário justificado; o primeiro mês de atividade não abre reembolso, exceto para os aprendizes, estagiários da formação profissional e voluntários do serviço cívico.
- Funcionários: nenhum prazo de espera.
- Trabalhadores independentes: filiação obrigatória, sem prazo de espera se as contribuições estiverem em dia; em integração parcial, apenas os cuidados cobertos a 100 % são reembolsados.
- Alunos e estudantes com menos de 28 anos que estudam no território: seguro específico, com uma contribuição de base calculada sobre 50 vezes o SMG horário (da ordem de 49 000 F CFP para um ano de estudos).
- Residentes sem regime obrigatório: seguro voluntário de doença, aberto a partir dos 16 anos a qualquer pessoa que resida no território e não dependa de nenhum regime obrigatório; a contribuição é de 4,67 % do teto de contribuição para o RUAMM (montante revisto todos os anos), ou metade se os rendimentos forem inferiores ou iguais a 18 vezes o SMG de dezembro do ano anterior.
Os beneficiários são o cônjuge, o parceiro de PACS, a pessoa em união de facto (união de facto notória há pelo menos 12 meses), os filhos e netos a cargo (até aos 18 anos sem condição, até aos 21 anos se prosseguirem estudos) e, mediante condições de rendimentos, os pais do segurado, desde que não tenham cobertura obrigatória pessoal. Os direitos produzem efeito na data de receção do processo completo.
Acesso ao sistema para um francês vindo da metrópole
Um francês que se instala não tem de pedir autorização para aceder aos cuidados, mas deve estar filiado no regime que corresponde à sua situação. A CAFAT precisa que um antigo assalariado da metrópole que não retoma atividade no local não conserva os seus direitos à Segurança Social metropolitana: filia-se no seguro voluntário, sem prazo de carência, com cobertura desde o primeiro dia de filiação sob reserva do número de horas exigido. A página das pessoas abrangidas pelo seguro voluntário visa também os segurados de um regime metropolitano que já não podem beneficiar das suas prestações em razão da sua residência no território.
As diligências assentam no acordo de coordenação com a metrópole, que se baseia no decreto n.º 2002-1371, de 19 de novembro de 2002, segundo o CLEISS (Centro francês de ligações europeias e internacionais de segurança social): um assalariado que trabalhou na metrópole apresenta o formulário SE 988-02 e os seus seis últimos recibos de vencimento, um destacado o SE 988-07 com o SE 988-01, um reformado o SE 988-06, e um beneficiário que vem sozinho o SE 988-05. A entrega faz-se no balcão único da CAFAT (4 rue du Général Mangin, em Numeá) ou pelo correio (CAFAT, BP L5, 98849 Nouméa Cedex), e os beneficiários inscrevem-se com o processo de inscrição dos beneficiários enviado para maladie@cafat.nc. O detalhe por situação está na página reembolso dos cuidados.
Hospitais públicos e oferta de cuidados
A DASS recenseia três estabelecimentos hospitalares públicos: o centro hospitalar territorial (CHT) Gaston-Bourret, o centro hospitalar especializado (CHS) Albert-Bousquet e o centro hospitalar do Norte (CHN). O CHT é o estabelecimento público de referência do território: dispõe de uma plataforma técnica única com urgências, reanimação e bloco operatório, emprega mais de 2 000 agentes e ocupa desde dezembro de 2016 o Médipôle de Koutio, em Dumbéa-sur-Mer, edifício certificado de alta qualidade ambiental e certificado pela Haute Autorité de santé (a autoridade francesa de saúde). O seu polo de medicina cobre nomeadamente a pneumologia, a medicina interna, a geriatria, a cardiologia, a neurologia, a oncologia, os cuidados paliativos, a diabetologia e a nefrologia; o seu polo de cirurgia, a oftalmologia, a otorrinolaringologia, a cirurgia visceral, a ortopedia- traumatologia e a cirurgia ambulatória; o seu polo mãe-filho, a maternidade.
O CHS Albert-Bousquet é o estabelecimento de referência em saúde mental, e o CHN assegura a oferta hospitalar pública da província Norte. Os profissionais de saúde liberais completam a oferta hospitalar; a DASS publica um anuário de saúde e um mapa das estruturas de saúde. Não se avança aqui nenhuma despesa de saúde em percentagem do PIB, por falta de dado oficial lido para o território.
Urgências, evacuação sanitária e cuidados fora do território
Urgências: em caso de urgência vital, o CHT indica para ligar para o 15 (SAMU, SOS Médecins). Para um parto urgente, é preciso ligar para o 20 80 00 e pedir a parteira de serviço na sala de partos. O CHT dispõe de serviços de urgências; os horários e a morada precisa são dados no seu mapa de acesso.
Evacuação sanitária (EVASAN): diz respeito aos cuidados que não podem ser realizados no local. O médico dirige um pedido à CAFAT, e uma comissão médica examina o processo; os destinos citados pela CAFAT são a metrópole e Sydney. Para a metrópole, o doente apresenta garantias de pagamento das despesas médicas e do alojamento, um passaporte válido, o seu bilhete e o seu processo médico. Os alojamentos propostos pelo gestor EVASAN são suportados; um alojamento escolhido noutro lugar é reembolsado até 60 € por dia, tal como as deslocações medicamente justificadas mediante receita. O acompanhante de um doente menor ou dependente vê o seu alojamento, as suas refeições e o seu transporte suportados nas mesmas condições. Em caso de regresso urgente por razão pessoal, a viagem de ida e volta fica a cargo do doente. Um contrato de assistência pode completar este dispositivo; veja também a definição de evacuação médica.
Cuidados fora do território: na metrópole, para uma estadia curta, o doente adianta as despesas e a CAFAT reembolsa às taxas CAFAT com base nas tarifas da Segurança Social; para uma estadia longa, uma missão profissional ou uma instalação, o acordo de coordenação permite um reembolso pela Segurança Social metropolitana. No estrangeiro, apenas os internamentos de pelo menos uma noite para cuidados imprevistos e urgentes são reembolsados; a CAFAT recomenda um seguro de viagem.
Medicamentos, vacinas e riscos sanitários
A farmácia faz parte das prestações de doença-cirurgia do RUAMM, às taxas fixadas pela CAFAT no seu folheto das taxas de reembolso; a DASS dedica uma rubrica aos medicamentos. Quanto às vacinas, a DASS indica que a maior parte das vacinas do calendário infantil são obrigatórias (difteria, tétano, poliomielite, tuberculose com a BCG, e tosse convulsa desde 1987) e que uma criança deve apresentar um certificado de vacinas em dia para entrar em creche, em guarda de crianças ou na escola. Recomenda, além disso, a gripe todos os anos a partir dos 65 anos, para as mulheres grávidas e as pessoas com doenças crónicas, a vacinação contra a tosse convulsa em cada gravidez, bem como a vacinação contra a Covid-19 em certos casos.
Dengue: a DASS assinala o regresso do dengue, cuja transmissão é favorecida pela estação das chuvas, e indica que as zonas não protegidas pelo método Wolbachia apresentam um risco mais elevado. Recomenda consultar rapidamente em caso de febre de 39 a 41 °C com dores de cabeça, dores musculares e articulares e cansaço; o teste é suportado. Só o paracetamol é aconselhado, podendo a aspirina e os anti-inflamatórios como o ibuprofeno agravar a doença. O chikungunya e o Zika transmitem-se pelos mesmos mosquitos, com a mesma prevenção: esvaziar os recipientes após cada chuva, usar roupa comprida e clara, utilizar repelentes e um mosquiteiro. A DASS dispõe também de um Centro Saúde e Viagens para as pessoas que partem para fora do território.
Referências: a quem dirigir-se consoante a necessidade
| Necessidade | Interlocutor | A reter |
|---|---|---|
| Urgência vital | 15 (SAMU, SOS Médecins) | Ligar sem esperar; o CHT dispõe de urgências, de reanimação e de blocos operatórios |
| Parto urgente | 20 80 00 (sala de partos do CHT) | Pedir a parteira de serviço |
| Consulta corrente | Profissional de saúde à sua escolha | Ticket moderador de 10 % nas consultas reembolsadas |
| Doença prolongada | Médico no local, depois controlo médico da CAFAT | 32 doenças listadas; cuidados associados a 100 %; o dispositivo ALD metropolitano não se aplica |
| Filiação e folhas de cuidados | CAFAT, balcão único de Numeá ou maladie@cafat.nc | Direitos a contar da receção do processo completo |
| Cuidados impossíveis no local | Médico assistente e depois comissão médica da CAFAT | EVASAN para a metrópole ou Sydney; alojamento e acompanhante segundo as regras da CAFAT |
| Dengue, vacinas, viagens | DASS e Centro Saúde e Viagens | Prevenção das picadas; certificado de vacinas em dia para a escola |
Fontes: CAFAT, DASS, centro hospitalar territorial Gaston-Bourret.
Perguntas frequentes
Que regime de seguro de doença se aplica na Nova Caledónia?
O regime unificado de seguro de doença e maternidade (RUAMM), gerido pela CAFAT. A Nova Caledónia é competente em proteção social ao abrigo do artigo 22.º da lei orgânica de 19 de março de 1999, e o seu sistema é distinto do sistema metropolitano, segundo a DASS.
O cartão Vitale é válido para um residente?
Não para um residente instalado: um antigo assalariado da metrópole que não retoma atividade no local não conserva os seus direitos metropolitanos e filia-se no seguro voluntário da CAFAT. Para uma estadia temporária, o formulário SE 988-03 permite à CAFAT reembolsar os cuidados imediatamente necessários.
Que hospitais públicos existem no território?
Três estabelecimentos, segundo a DASS: o centro hospitalar territorial Gaston-Bourret (Médipôle de Koutio, em Dumbéa-sur-Mer), o centro hospitalar especializado Albert-Bousquet para a saúde mental e o centro hospitalar do Norte para a província Norte.
Que número marcar em caso de urgência?
O 15 para as urgências vitais (SAMU, SOS Médecins), segundo o CHT Gaston-Bourret. Para um parto urgente, o 20 80 00 permite contactar a parteira de serviço.
Como funciona uma evacuação sanitária para a metrópole?
O médico faz um pedido à CAFAT, uma comissão médica examina o processo, e depois o percurso EVASAN começa com garantias de pagamento das despesas médicas e do alojamento. Um alojamento escolhido pelo doente é reembolsado até 60 € por dia; o regresso antecipado por razão pessoal fica a seu cargo.
Os cuidados no estrangeiro são reembolsados pela CAFAT?
Apenas os internamentos de pelo menos uma noite para cuidados imprevistos e urgentes durante uma estadia temporária, dentro do limite das tarifas e taxas da CAFAT. Os cuidados sem internamento não são reembolsados, mesmo urgentes; a CAFAT recomenda um seguro de viagem.
O que fazer contra o dengue?
Esvaziar os recipientes de água após cada chuva, proteger-se das picadas de mosquitos e consultar rapidamente em caso de febre alta, dores de cabeça e dores. A DASS desaconselha a aspirina e o ibuprofeno e recomenda o paracetamol.
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